Reabilitação domiciliar para pacientes com doenças cardiovasculares

jul 28 • Notícias • 629 Views • Comentários desativados em Reabilitação domiciliar para pacientes com doenças cardiovasculares

Os pacientes que sofrem com doenças cardiovasculares (DCV) muitas vezes têm longos anos de tratamento à frente, além de uma drástica mudança no estilo de vida. A parte mais difícil do processo é, provavelmente, o retorno para casa, onde os velhos hábitos ainda estão presentes. Uma nova tecnologia contando com sensores remotos poderá, em breve, tornar a vida após uma doença cardiovascular muito mais fácil.

As doenças cardiovasculares são um desafio para a sociedade. A reabilitação do paciente costuma ser difícil e com grandes encargos financeiros. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), as doenças cardiovasculares custam à União Europeia 196 bilhões de euros por ano. Apesar do investimento público, as doenças cardiovasculares ainda causam 46 vezes o número de mortes e 11 vezes a incidência de doenças causadas por AIDS, tuberculose e malária juntos. Quatro milhões de pacientes morrem de doenças cardiovasculares a cada ano na Europa.

Com a finalidade de viver mais tempo e, eventualmente, reduzir impactos à saúde e o encargo financeiro que as doenças cardiovasculares representam para a sociedade, os pacientes devem parar de fumar, comer mais frutas e vegetais e aumentar a atividade física, enquanto são submetidos à terapia medicamentosa e têm sua pressão arterial controlada. Embora tais aspectos sejam mais facilmente gerenciáveis no hospital, é muito mais difícil seguir tais recomendações em casa.

O projeto HEARTWAYS (Advanced solutions for supporting cardiac patients in rehabilitation – Soluções Avançadas para Apoiar Pacientes Cardíacos em Reabilitação) nasceu a partir da ideia de que a implementação de medidas de qualidade de desempenho, sistemas de referência automatizados, e a opção de reabilitação cardíaca baseada em exercícios em casa para alguns pacientes pode ajudar a reduzir o risco de sofrer um evento cardíaco agudo novamente. O projeto está desenvolvendo sensores avançados “vestíveis” e algoritmos inteligentes para apoiar pacientes cardíacos na reabilitação fora dos centros médicos.

Juan Pablo Lázaro-Ramos, coordenador do projeto, explicou ao site CORDIS como a nova tecnologia vai ajudar a monitorar os sinais vitais necessários para o diagnóstico, avaliar o desempenho do exercício e do progresso, e ativar o suporte remoto personalizado como parte de monitoramento para mais pacientes sem reduzir a qualidade do atendimento.

Quais são os principais objetivos do projeto?

Juan Pablo: HEARTWAYS objetiva desenvolver uma solução de TI avançada, remota e modular para pacientes que sofrem de doenças cardiovasculares, que começam um processo de reabilitação fora dos centros médicos – em casa, por exemplo.

A tecnologia é composta por: camisetas com sensores para monitorar a respiração e os batimentos cardíacos; medições de eletrocardiograma e pulsioximetria; acelerômetros colocados nos braços e pernas dos pacientes para medir o desempenho do exercício; e algoritmos inteligentes. Nós recolhemos dados sobre o exercício, estilo de vida, o perfil do paciente e da história clínica, e traduzimos isso em uma avaliação de risco de eventos de saúde futuros.

A tecnologia tem como alvo os profissionais – ajudando-os com o acompanhamento do paciente, estratégias de intervenção e planos de cuidados clínicos, mas não para por aí. Os pacientes também terão acesso aos seus dados pessoais por meio de um aplicativo móvel, para que possam adaptar o seu estilo de vida e controlar a eficácia do exercício físico, onde quer que estejam.

O que é novo ou inovador em relação à tecnologia você está desenvolvendo?

A tecnologia HEARTWAYS é o primeiro monitor de previsão de risco cardiovascular com base em dados personalizados. A inovação reside em tecnologias individuais e no sistema global, de forma que envolve todas as partes interessadas e as soluções em torno de um único sistema para uso por pacientes e profissionais.

Também são grandes inovações luvas especiais que integram a pulsiometria e outros sensores, e a criação da análise multiparamétrica inteligente, além do mediador de integração inteligente, com informações provenientes de várias fontes em um quadro de comunicação único. O sistema deixa a porta aberta para os sistemas e sensores de informações adicionais, fazendo a futura integração com os sistemas de TI dos clientes existentes uma tarefa fácil.

De modo geral, HEARTWAYS vai permitir aos médicos acompanharem pacientes com doenças cardiovasculares e prescreverem a tecnologia para as reabilitações a médio e longo prazo, o que eles não podiam fazer até hoje.

Como é que vai melhorar a vida dos pacientes?

Nossa tecnologia é eficiente, segura e de baixo custo. Traz pacientes com doenças cardiovasculares para mais perto de suas famílias, o que lhes permite harmonizar-se de volta à sociedade, e reduzir o estresse associado com a gestão da doença, bem como a necessidade de apoio psicológico.

A redução nas hospitalizações e eventos agudos também permite economias de custo significativas a serem feitas.

Quais foram as principais dificuldades que vocês enfrentaram e como vão resolvê-las?

O primeiro desafio foi o desenvolvimento de algoritmos capazes de realizar avaliações de risco personalizados em termos de probabilidades de novos eventos cardíacos agudos em curto prazo. Então, nós tivemos que encontrar uma maneira de produzir sensores utilizáveis e acessíveis, sabendo que esta, até agora, tem sido uma das principais desvantagens de tal tecnologia.

Fazer o nosso aplicativo móvel acessível por todos os pacientes, de maneira intuitiva e integrada nos processos diários também foi um desafio.

Por último, mas não menos importante – tivemos que posicionar a nossa tecnologia em um mercado tradicionalmente relutante em assumir prescrições de tecnologia, devido à falta de provas. HEARTWAYS vai reunir sua própria evidência, por meio de um estudo clínico que irá medir os baixos gastos e melhorias no quadro clínico dos pacientes.

Quais são os próximos passos para o projeto em si e depois que termina?

Em breve iniciaremos testes clínicos com 30 usuários em dois hospitais de Valência (Espanha), a fim de validar os protocolos clínicos por trás do processo de assistência.

Precisamos validar a composição geral em diferentes países (Croácia, Itália e Portugal) sobre usabilidade, aceitabilidade e expectativas do ponto de vista do usuário final e, do ponto de vista do mercado. Então, precisamos fornecer um plano de exploração do produto em ambos os mercados, sistemas de saúde pública e privados (clínicas de reabilitação e centros, prestadores de saúde privados baseados em seguros).

Quando vocês esperam que a tecnologia irá ser disponibilizada para os pacientes?

Os testes clínicos começam em julho de 2014 e irão durar até abril de 2015. Se indicadores sobre a economia de custos e melhorias em termos de risco e casos de recaídas sejam positivos, os testes continuarão em hospitais que já utilizam a tecnologia e deve estar disponível para os clientes e pacientes pelo final de 2015 ou início de 2016, especialmente no setor público. A prospecção de mercado começou este ano, e é possível que clientes particulares possam começar a usar o sistema no último trimestre do ano, uma vez que o processo de certificação de dispositivos médicos está completa.

Se bem sucedido, o que poderia significar HEARTWAYS em termos de benefícios econômicos para a sociedade?

A reabilitação cardíaca baseada em exercício tem provado ser benéfica para os pacientes. Ela pode levar a uma redução de 25% na mortalidade por doenças cardiovasculares em três anos, melhorar os fatores psicológicos e a qualidade de vida, criar incentivos para uma vida saudável e reduzir a probabilidade de futuros eventos cardíacos e readmissões hospitalares.

Para mais informações, visite: 
HEARTWAYS 
http://e-njega.com.hr/heartways/Default.aspx

Ficha técnica do Projeto: 
http://cordis.europa.eu/projects/rcn/105228_en.html

Fonte: Cordis

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