Especial Instituições de CT&I no Brasil: Entrevista com Glenda Mezarobba, diretora de Cooperação Institucional do CNPq

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“Não se pode pensar a ciência sem seu componente internacional, sem a parceria com outros países. Hoje, tem-se claro que a ciência precisa ser pensada em uma estrutura em forma de rede, que propicie o diálogo do conhecimento”, afirma a diretora de Cooperação Institucional do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glenda Mezarobba, em entrevista à Divisão de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict).

Na entrevista, a diretora fala sobre as ações, os programas, as parcerias e os acordos de cooperação internacional nos quais o CNPq atua.

Leia a entrevista completa a seguir.

Quais são as principais ações realizadas pelo CNPq na área de cooperação internacional?

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Glenda Mezarobba (Foto: Cláudia Marins)

O CNPq mantém atualmente 120 instrumentos de cooperação com instituições internacionais vigentes – 54 deles são com agências de fomento. Essa cooperação vem se desenvolvendo por intermédio do apoio a projetos conjuntos de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, o que inclui a mobilidade dos pesquisadores envolvidos e visitas/expedições científicas e a capacitação em alto nível de recursos humanos – de brasileiros no exterior e de estrangeiros no país.

No âmbito do Programa Ciência sem Fronteiras, por exemplo, entre 2011 e 2014 foram enviados ao exterior, pelo CNPq, 26.844 estudantes de graduação e 9.397 de pós-graduação. Além disso, há a participação em organismos internacionais e em comissões mistas, de acompanhamento de delegações nacionais ao exterior, de participação em missões exploratórias e de assessoramento à presidência do CNPq e ao MCTIC, em questões relativas à cooperação internacional.

Qual a sua avaliação sobre o papel da cooperação internacional, especialmente na área de pesquisa, para a resolução de problemas no Brasil?

Não se pode pensar a ciência sem seu componente internacional, sem a parceria com outros países. E isso vem há muito tempo, por exemplo, as academias científicas. Hoje tem-se claro que a ciência precisa ser pensada em uma estrutura em forma de rede, que propicie o diálogo do conhecimento – incapaz de ser contido ou limitado por barreiras geográficas. O fazer científico no século XXI envolve, mais do que nunca, troca, cooperação, reflexões e descobertas em conjunto.

Para exemplificar a relevância dessa parceria, vejamos o caso do Programa Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCT). Na chamada de 2014, 345 propostas foram submetidas. Por envolver praticamente toda a comunidade cientifica brasileira, a análise de mérito científico teve de ser desenvolvida no exterior. Apenas fora do país foi possível encontrar pelo menos três especialistas aptos a avaliarem a qualidade e o potencial de cada uma das propostas, sem conflito de interesse. Criou-se, assim, um banco de dados de assessores ad hoc internacionais, com 5.185 nomes – cerca de dois mil deles emitiram pareceres – e essa etapa da chamada foi recentemente concluída.

Como a disseminação da informação pode promover a cooperação internacional?

A cooperação internacional não se realiza sem o intercâmbio permanente de informações. Essa troca possibilita saber quem pesquisa o quê, como e onde. Apenas a disseminação de informações é capaz de aproximar pesquisadores e complementar interesses, permitindo a formação de redes de conhecimento em busca de respostas aos desafios atuais, tanto na pesquisa básica quanto na aplicada.

De novo, menciono a última chamada do Programa INCT, para mostrar o potencial da cooperação internacional. As 252 propostas que tiveram seu mérito científico, tecnológico e de inovação reconhecidos preveem a participação de 471 instituições e laboratórios de pesquisa estrangeiros, para cumprir seus objetivos. Além dos Estados Unidos e das parcerias com os países europeus e da América Latina, esse intercâmbio também envolve pesquisadores em Bangladesh, China, Índia e Líbano, por exemplo.

A senhora poderia comentar os resultados obtidos pelo CNPq na área de pesquisa/cooperação internacional?

São muitas as parcerias frutíferas, ao longo da história do CNPq, envolvendo a cooperação internacional. Para citar algumas, menciono, por exemplo, um projeto desenvolvido a partir de 2004, em parceria com o francês IRD, que propiciou conhecimento aprofundado sobre a relações entre rituais religiosos do oeste africano e rituais afro-brasileiros, suprindo uma carência da historiografia a respeito da influência africana para a construção identitária e a formação sociocultural brasileira.

Outro, iniciado em 2011 com cientistas da Eslovênia, obteve resultados significativos em entomologia agrícola, ao aprofundar o entendimento sobre o comportamento de percevejos que atuam como pragas de lavoura, inclusive sobre mecanismos de comunicação vibracional e de reprodução desses insetos. No âmbito do Programa INCT, a criação de um herbário virtual também merece registro, ao propiciar, à comunidade científica e aos formuladores de políticas públicas, uma infraestrutura de dados de acesso público e aberto, a partir da integração das informações não apenas dos acervos dos herbários nacionais, mas também com a repatriação de dados sobre coletas realizadas no Brasil, depositadas em acervos no exterior.

Para conhecer mais sobre as ações do CNPq, acesse: www.cnpq.br.

Fonte: Divisão de Relações Internacionais do Ibict

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