Entrevista com Sergio Gargioni, presidente do CONFAP

ago 19 • Notícias • 485 Views • Comentários desativados em Entrevista com Sergio Gargioni, presidente do CONFAP

“O mundo todo está mais globalizado e os interesses são mais amplos, então, como os desenvolvimentos econômico e social planetário estão baseados em ciência e tecnologia como princípio da inovação, não temos como não cooperar internacionalmente”, afirma Sergio Gargioni, presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP).

O CONFAP é uma organização sem fins lucrativos que tem por objetivo melhor articular os interesses das agências estaduais de fomento à pesquisa. Criado oficialmente em 2006, o Conselho agrega fundações de 24 estados, mais o Distrito Federal.

Sergio Gargioni é engenheiro mecânico, formado pela Universidade Federal de Santa Catarina, tem Mestrado em Engenharia Mecânica, pela University of Illinois (Estados Unidos), e MBA Executivo, na área de Administração de Negócios, pelo Instituto IMD Lausanne (Suíça).

A experiência profissional de Gargioni se deu em várias esferas. No governo federal, foi Superintendente de Desenvolvimento Industrial e Infraestrutura e Secretário de Órgãos Colegiados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); Secretário Executivo do Conselho Nacional da Pós-Graduação da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior)/MEC; Vice-Diretor e Gerente de Equipamentos do PREMESU (Programa de Expansão e Melhoramento das Instalações do Ensino Superior)/MEC; e Professor da Universidade de Brasília.

Atualmente, preside o CONFAP e a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina (FAPESC) – e por causa dessas funções integra diversos comitês –, além das atividades docentes no Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde é Professor Titular.

Em entrevista exclusiva para o site do Sistema de Informação para Cooperação Internacional do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (CINT/IBICT), Gargioni fala sobre cooperação internacional em ciência e tecnologia e a atuação do País nesses campos. Confira abaixo.

Qual sua avaliação sobre a importância das atividades de cooperação internacional em ciência, tecnologia e inovação (CT&I) para o desenvolvimento e o avanço do Brasil?

A cooperação internacional sempre fez parte de todas as agências de ciência e tecnologia, porque são áreas que não têm fronteiras. É uma comunidade que troca muito. A formação de muitos dos nossos pesquisadores ocorre fora do País, e, por sua vez, temos pesquisadores visitantes aqui, além de desafios e congressos internacionais. Querendo ou não, sempre estamos envolvidos nessa cooperação com todos os países, sem exceção. Temos olhado mais para a Europa e Estados Unidos, mas agora há outros países que precisamos olhar muito bem. O mundo todo está mais globalizado ainda e os interesses são mais amplos. Como o desenvolvimento econômico e social planetário está baseado em ciência e tecnologia como fomentador da inovação, não temos como não cooperar internacionalmente. Essa cooperação está se intensificando e as regras estão ficando mais claras e, às vezes, mais complexas. Não há como desenvolver um país de forma totalmente autônoma por mais recursos que sejam investidos.

O senhor poderia falar também sobre as ações que o Confap vem realizando na área de cooperação internacional em CT&I?

O CONFAP tem tido uma agenda muito intensa na área internacional, porque se descobriu que o conjunto das Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) representa um volume razoável de recursos, com maior destaque para aquelas de estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que somadas representam mais de 50% dos recursos. Atualmente, se somarmos todos os recursos das Fundações de Apoio, dependendo de como é feita a conta, pode-se chegar a dois bilhões e meio a três bilhões de reais por ano. As agências nacionais de fomento à CT&I têm dificuldades de financiamento. Não sei se é circunstancial, mas esperamos que isso melhore. A situação é que o conjunto das FAPs passou a ser um componente importante na implementação desses programas de cooperação. Com a França, nós já estamos cooperando há algum tempo. Estamos também abrindo algumas portas com o Canadá; com a Alemanha e Israel também estamos começando, e em relação à Comunidade Europeia, a gente vem conversando há mais tempo, mas ainda precisamos avançar em um acordo mais formal entre as instituições envolvidas. Também foi anunciada uma ação conjunta entre o CONFAP e a Inglaterra relativa ao Fundo Newton.

Poderia melhor explicar esta iniciativa e informar se existem outras iniciativas semelhantes em desenvolvimento e/ou previstas?

O Fundo Newton (saiba mais clicando aqui) está trazendo nove milhões de libras para o Brasil em cooperação e, por outro lado, precisa de nove milhões do lado de cá. Fizemos um acordo de que pelo menos três milhões serão garantidos pelas FAPs, em relação ao edital que acabou de sair. O primeiro edital de projetos conjuntos, de até 100 mil libras por um ano, terá 50 mil pagos lá, e 50 mil pagos aqui. É um edital único em inglês. Até o final do ano vamos ter o julgamento por uma comissão única, que vai analisar os projetos. A complexidade pela quantidade de atores e as diferenças que temos de língua e de visão estão se estreitando e sendo facilitadas.

Em sua opinião que ações o Brasil deveria adotar e implementar para incentivar a cooperação internacional em CT&I?

Acredito que as agências nacionais poderiam encarar isso de maneira mais prática. Em minha visão, elas já foram mais efetivas. O próprio Itamaraty tem uma agenda difícil. As decisões são tomadas com atraso. Precisamos de uma simplificação do processo para ganharmos velocidade e tomarmos decisões mais rápidas. Basicamente é isso porque a boa vontade existe, o conhecimento existe, os projetos estão aí e a demanda também.

Como vê a iniciativa do IBICT de lançar uma página web voltada especificamente para informar sobre atividades e oportunidades de cooperação internacional em CT&I?

É uma iniciativa louvável do IBICT, que é uma instituição da informação. Porque há muita informação dispersa e ela tem que ser atualizada. E há sempre essa dúvida, o que é que de fato tem e o que é possível? A recomendação que eu faria é que fosse dentro de uma linguagem prática, simples e direta, até porque hoje estamos assediados por muita informação. A gente não tem muita paciência, queremos logo o ponto final. Sem dúvida, é uma iniciativa muito importante e que vai ser muito bem reconhecida. Alguém tem que realizar o trabalho e foi ótimo o IBICT ter tomado essa iniciativa. Outra sugestão é a institucionalização de forma mais robusta em relação à questão da formação das parcerias.

Acesse o site do CONFAP, disponível em: http://confap.org.br.

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